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IV GREVE
MUNDIAL DE MULHERES AS
MULHERES DIZEM NÃO A GUERRA Revolução venezulena - Convocatória de mulheres às mulheres de todo o mundo Uma petição a todos os governos QUE SE INVISTA EM CUIDAR, NÃO EM MATAR! NÓS TE CONVIDAMOS PARA
PARTICIPAR NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, JUNTO COM MULHERES DE TODO O
MUNDO, Tão mortífera quanto as armas é a fome que milhões de nós tem que suportar. Além da escassez de comida imposta por assassinas prioridades econômicas, estão as inundações e secas causadas pelo câmbio climático. As mulheres trabalham sem cessar tentando prover suas famílias com suficiente alimento para que possam sobreviver um dia a mais. Para aqueles que cuidam dos outros, organizar-se para sobreviver é inseparável de organizar-se para mudar. Mas como nossa sobrevivência não é uma prioridade econômica, então nosso trabalho pela sobrevivência é invisível e não conta. Todo 8 de março, ações pró Greve são realizadas em mais de 60 países, em todos continentes. Essas ações transmitem nossas reivindicações e são originarias de nossa experiência internacional. Quanto mais as mulheres estiverem juntas para quebrar as divisões de raça, de etnia, de nação, de religião, de linguagem – que nos divide para aumentar nossas carências – mais as reivindicações das necessidades das mulheres do povo ficaram visíveis e faremos escutar nossa luta contra as guerras e o comércio de armas que suga os nossos recursos. Mais da metade dos gastos militares mundial são norte-americano, o que é utilizado para reforçar ainda mais a sua supremacia econômica. Assim, eles impõem o petróleo, a principal causa da poluição, como principal fonte de energia. Com seus aliados europeus e israelitas, os EUA promovem e vendem armas aos governantes de todo o mundo para que façam a guerra entre si, defendendo assim o poder norte-americano. Foi desta forma que, por exemplo, 75% do orçamento de Uganda e Paquistão foi devorado por gastos militares. As reivindicações da Greve Mundial das Mulheres se dirigem a todos os governos:
Nos últimos meses, a questão chave da eliminação dos orçamentos militares tem sido repetida todo o tipo de pessoas no Terceiro Mundo e nos países industrializados. Elas concordam que inclusive uma ameaça de uma guerra é um ataque a qualquer vida deste planeta – desde as mães que pedem água potável, comida e bem-estar até os veteranos que, como milhões de outras pessoas, têm absoluta necessidade de cuidado com a saúde, desde trabalhadores assalariados que se vêem obrigados a deixar seus locais de trabalho sem meios de sobreviver, ou que lutam contra baixos salários e longas jornadas até deficientes físicos, desde pensionistas privados de pensões dignas até crianças as quais foi negadas a educação elementar ou ajuda para estudar e, desde os sem tetos até...Todos eles apontam aos 900 bilhões de dólares que se gastam em todo mundo com armas de destruição maciça e perguntam: Por que os gastos militares tem a prioridade se todos nós sofremos privações? Este é um novo protesto holístico, não somente a contra guerra, mas também contra a espoliação das riquezas e recursos coletivos por culpa da guerra. É consenso global prioritário reivindicar pela eliminação dos gastos militares. Com esse objetivo, mulheres e homens estão idealizando novas formas de organização sobre a base de que qualquer setor deve levar em conta outros setores e rejeitando a ambição dos partidos políticos cujas prioridades são seus próprios poderes. Ainda que os homens sejam considerados os mais importantes, as mulheres tem sido sempre a coluna vertebral dos movimentos antiguerra. Durante esse ano, a Greve Mundial das Mulheres tem se organizado de muitas e diversas maneira: em piquetes semanais contra a guerra em vários países e no trabalho diário para defender nosso direito ao bem-estar, ao cuidado da saúde, ao asilo e contra as deportações, estupros e outros tipos de violência... Nosso JORNAL e nossa PETIÇÃO ANTIGUERRA tem conquistado forças para o dia 8 de março, divulgando notícias para atividade da Greve em muitos países. O Jornal é agora publicado em espanhol, inglês, swahili e português, e a petição internacional de INVESTIR EM CUIDAR, NÃO EM MATAR! em muito mais idiomas. A rede da Greve Mundial das Mulheres também tem participado de numerosos e importantes atos internacionais. VENEZUELA. Em julho, atendendo ao convite do Instituto da Mulher do governo, enviamos uma companheira da Guiana, uma do Peru e uma dos EUA. Tendo votado no presidente Hugo Chavez como líder do seu movimento, as venezuelanas começaram a reivindicar o uso da riqueza petrolífera para diminuir a pobreza que afeta a 80% da população. Logo elas tiveram que fazer frente ao golpe militar arquitetado pelos EUA e a racista elite venezuelana que tinha sido derrotada nas urnas depois de 40 anos no poder. Mas centenas de milhares de camponesas – guiadas por mulheres , arriscando suas vidas, foram às ruas e derrotaram o golpe. Agora, o governante agindo com a crescente convicção de que ninguém pode ganhar sem suporte internacional está chamando mulheres ativistas para construir uma rede internacional de solidariedade. A Greve está contando a história das
mulheres e de esta a revolução do século XXI, pois a história nunca
conta sobre as revoluções, e agindo em sua defesa. A população
venezuelana e sobretudo as camponesas estão formando suas próprias
organizações para substituir a dos partidos políticos tradicionais, que
se baseiam nos em interesses corporativistas, na ambição pessoal e na
corrupção. Estamos divulgando as notícias que a CNN e a Fox escondem de
que na Venezuela nos estamos ganhando contra o excesso de trabalho e a
pobreza, o que é uma motivação para todos. ARGENTINA. As políticas pró privatização Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial e a corrupção levou metade da população a um estado de pobreza. Em agosto, cinco companheiras de Santa Fé assistiram ao Fórum Social em Buenos Aires divulgaram a notícia de como mulheres de alguns dos bairros mais pobres têm formado assembléias para organizar sopas comunitárias, receber subsídios emergenciais e desafiar a corrupção na distribuição destes subsidios. Elas fizeram valiosos contatos para a Greve no explosivo movimento de apoio as mudanças na América Latina. Revolução venezulena, Convocatória de mulheres às mulheres de todo o mundo TANZÂNIA. Três companheiras da Inglaterra e uma de Uganda foram em setembro a conferência promovida pelos partidários da amamentação materna e UNICEF. Nos estávamos lá para defender as mães e as crianças contra o leite artificial para bebês o que matam pelo menos de 1,5 milhões de crianças, principalmente em países do Terceiro Mundo – verdadeira arma de destruição em massa. Mas descobrimos que, como a ONU, a UNICEF é agora parte do mercado global, trabalhando com McDonald´s e Coca Cola e corrompendo ONGs com subvenções e postos para que apoiem seu genocídio, usando o HIV/ AIDS como desculpa. Levantamos a desesperada questão da necessidade vital de uma alimentação segura para as mães que amamentam. Este foi um tema que a se conferência negou discutir. As mães africanas, as que mais conhecem este tema e, por essa razão, os elementos centrais nesses debates, estavam ausentes. UGANDA. Nos viajamos para o encontro da Organização de Mulheres Kaabong. Em Uganda nossas companheiras tem que trabalhar desesperadamente duro, até o limite da inanição, devido as secas provocadas pelo aquecimento do globo. Elas caminham quilômetros, para cavar em busca de água, que nem sempre é potável. São elas que constróem as casas, cultivam o que podem, cozinham, cuidam dos filhos... A cada ano, caminham três dias sem comer para fazer parte da Greve e para que o mundo saiba que estão se organizando para a mudança: para obter a água potável, para plantarem hortas, para construírem seu centro de mulheres e para exigir algo além da pura sobrevivência e o trabalho sem fim. Alguns homens apoiam suas organizações pois sabem que delas dependem a sobrevivência da comunidade. BOLÍVIA, Em novembro, as companheiras Aymaras do Peru levaram as reivindicações da Greve ao encontro com as mulheres quéchuas, para comemorar o dia contra a violência às mulheres. BRASIL. Também em novembro, uma companheira da Inglaterra e outra dos EUA participaram de uma conferência para ajudar a preparar uma marcha contra a dominação americana partindo do Fórum Mundial em Porto Alegre até Caracas na Venezuela. Nossa rede de lutas é cada vez mais forte e está crescendo rapidamente, o que nos põe em contato com o que as mulheres estão fazendo em todo o mundo. Na Nigéria as mulheres se uniram através de filiações étnicas ocuparam as oficinas da companhia petrolífera Shell que tem explorado, corrompido, contaminado, matado e mutilado para seu próprio benefício. Elas reivindicaram parte desses abundantes benefícios para alimentos, escolas e saúde – para o cuidado das pessoas, para o cuidado da vida. Essas lutas para sobrevivência e a mudança são pontos de referência para todos nós, permitindo-nos ver nosso próprio sofrimento nas experiências de outras e, ao mesmo tempo, encontrar nosso poder na vitória de outras. Para ganhar independência, freqüentemente temos tido que provar nossos valores, suprimindo nossas necessidades, adquirindo valores masculinos, trabalho mais duro que os homens, diminuindo a importância de nosso trabalho não remunerado, dedicando menos tempo aos nossos filhos e familiares e, inclusive, desprezar nossas mães (enquanto as "profissionais" nos desprezam). Com a Greve Mundial de Mulheres levamos as prioridades das mulheres de INVESTIR EM CUIDAR, NÃO EM MATAR, como a principal iniciativa de mudança. Fazer greve para reivindicar que o orçamento militar mundial seja utilizado no cuidado das pessoas e do planeta é uma estratégia que só poderia ter saído das mulheres que são as que cuidam, mas como o cuidado é básico e fundamental para a sobrevivência de todos, a riqueza social é investir em cuidar, não em matar, assim, a vida e o cuidado voltariam a ser as prioridades da sociedade, e o trabalho que as mulheres realizam para proteger a vida, seria finalmente reconhecido como trabalho básico da sociedade, um trabalho para ser dividido entre todos, e então, pararíamos o petróleo para a guerra e a guerra pelo petróleo o que envolve a todos nos em guerras todos dia. Poder às companheiras contra a guerra! Paremos o mundo para mudá-lo! Selma James, 24 janeiro 2003 Nosso livro "The Milk of Human Kindness" O Leite da Bondade Humana, defende a amamentação contra o mercado global e a indústria da AIDS" (S Francis, S James, P Jones Schellenberg e N Lopez-Jones; Crossroads Books, Londres). Esse livro fala do trabalho vital que realizam as mulheres com a amamentação e denuncia o ataque contra esse alimento básico para a humanidade. Anteriormente a Greve trabalhou com a WABA (Aliança Mundial Pró Amamentação) que nos convidou a uma conferência. Mas, financiada pela UNICEF, não quiseram dissociar-se desta política genocida. AÇÕES A TOMAR O 8 de março está se aproximando e muitos lugares já estão se organizando para este dia. Qualquer um pode fazer parte da Greve Mundial das Mulheres, de forma independente ou associado a outros, usando o tempo livre que você tiver, organizando atividades ou trazendo suas atividades para a Greve. Aqui vão algumas idéias de como usar a Greve para fortalecer e estender o que você já está fazendo ou para começar novas iniciativas:
Em alguns países o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente, as mulheres conseguiram que algumas escolas e lugares públicos reconheçam publicamente as suas contribuições e apoiem as reivindicações da Greve. Não esqueça de mandar-nos suas notícias e opiniões, fotos, poesias, trabalhos artísticos para colocarmos na página web e para que outras pessoas possam entrar em contato com você. Se você fala mais de um idioma, por favor, ajude-nos nas traduções. E avise-nos quando o seu endereço eletrônico for trocado. |