| EUA: ‘Welfare’
é nosso direito
O welfare (benefício social) foi conquistado há 65 anos como um reconhecimento do trabalho desempenhado pelas mães enquanto contribuição econômica para a sociedade. Noventa por cento das pessoas que recebem welfare são mulheres e crianças. Nos últimos anos a ‘reforma’ do welfare tem desviado dinheiro de programas sociais para gastos com guerra. A ‘reforma’ tem devastado mães-solteiras e aqueles sob os cuidados delas. É trabalho forçado e recrutamento para trabalhos de baixa remuneração. Paga-se para que outra pessoa cuide de seus filhos enquanto lhe negam dinheiro para que você mesma possa cuidar deles. Isso faz com que o welfare se descaracterize enquanto um direito. A ‘reforma’ tem contribuído para aumentar ainda mais a diferença entre os salários das mulheres e dos homens; nega o direito dos imigrantes aos benefício; discrimina lésbicas, mulheres idosas e mulheres inválidas ao negar o trabalho que elas desempenham para cuidar de si mesmas. O que está acontecendo nos EUA é um ajuste estrutural, similar aos ajustes estruturais impostos aos países do Terceiro Mundo, que devastam os serviços e o meio ambiente. Nos anos 60, mães que recebiam benefícios participavam dos movimentos de paz contra a guerra do Vietnã. Em 2002, os movimentos anti-guerra ou anti-globalização darão apoio às mães que recebem benefício? Muitas vidas aqui e em outras partes do mundo dependem disso. Temos que prestar contas às nossas irmãs dos países do Terceiro Mundo onde a situação é ainda mais alarmante. Somente quando nossa luta se juntar à delas nós poderemos derrotar juntas a pobreza que permite aos EUA e outras corporações de explorar-nos com salários escravizantes e perigosas condições de trabalho – um padrão que se impõem em todo o mundo. Aqui mesmo, vemos a corrupção responsável pelo colapso da economia na Argentina. Os milhões de dólares da Enron roubados globalmente, inclusive através da chamada "dívida externa" do Terceiro Mundo, que foi ‘emprestada’ para gastos em orçamentos militares e privatizações. Tudo o que obtivemos com a "dívida" foi o fim de serviços sociais, substituídos por armas apontadas para nós quando protestamos. Nos matam de fome, compram armas com nosso dinheiro e logo nos pedem que paguemos de volta. Nós temos que exigir dos EUA a não deportação de imigrantes, mas a repatriação dos roubos do Terceiro Mundo que foram acumulados aqui. Essa luta também temos que travar aqui, nas entranhas da besta. Os sindicatos parecem estar interligados à política externa dos EUA. Eles apoiaram o bombardeio no Afeganistão e estão sempre prontos a permitir que os EUA ataquem trabalhadores de outros países, cujos salários são muito mais baixos. Ao invés de divulgar que se comprem produtos fabricados nos EUA temos que divulgar que se comprem produtos fabricados por trabalhadores sindicalizados, qualquer que seja seu país de origem. Antes de discutirmos ‘sindicatos’ ou ‘não sindicatos’, temos que lutar por um salário mínimo internacional. Do contrário estaremos permitindo a competição internacional entre trabalhadores e os salários diminuem em todos os países, inclusive nos EUA. Nós sabemos que são as mulheres e os negros em todos os países os que menos possuem e os que mais pagam por essa competição. Em 4 de Abril de 1967, um ano antes de seu assassinato, o líder negro Dr. Martin Luther King em um discurso pouco lembrado falou: "Existe uma conexão muito óbvia entre a guerra do Vietnã e a luta que eu e outros temos travado nos EUA. Há alguns anos houve um momento de esplendor nessa luta. Parecia que havia uma esperança real para os pobres, negros ou brancos, através do programa de pobreza... Mas logo veio a guerra do Vietnã, e eu vi o programa se desfazer como se fosse um joguete político de uma sociedade enlouquecida com a guerra, e eu sabia que os EUA nunca investiriam nem os fundos nem a energia necessários para a reabilitação de seus pobres, enquanto aventuras como o Vietnã continuassem atraindo homens, talentos e dinheiro como um demoníaco e destrutivo tubo aspirador. Por isso me vi cada vez mais obrigado a considerar a guerra como o inimigo dos pobres e atacá-la como tal." Trechos do discurso de Margaret Prescod da Every Mother is a Working Mother Network (Rede Toda Mãe é Mãe Trabalhadora) e da Global Women of Colour – WinWages (Rede Global de Mulheres Negras), numa manifestação anti-guerra. Los Angeles, 2 de Fevereiro 2002 |