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MAMÃE...
O QUE VOCÊ FEZ NA GREVE MUNDIAL DAS MULHERES?
MÉXICO ESPANHA GHANA
INGLATERRA ARGENTINA
GUIANA PERÚ
México
Chiapas – O
Coletivo de Mulheres de San Cristóbal de las Casas (COLEM) entrou na
Greve. Em Gerrero uma jornalista do programa de rádio "Vozes de
Mulheres" denunciou os empresários que abusam dos direitos das
trabalhadoras; aos assassinatos de mais de 200 mulheres da cidade de
Juarez desde 1993 (que estão levando à Comissão Interamericana de
Direitos Humanos) e abriu uma investigação sobre a violação de
mulheres indígenas em Montana por parte dos militares. Questionou porque
não há dinheiro nem recursos para as mulheres e crianças enquanto se
gasta 800 bilhões em orçamentos militares.
Espanha
Barcelona –
A GGM começou o dia cedo com a mobilização da Campanha Contra a Europa
do Capital e da Guerra. As mulheres ocuparam a praça Sant Jaume por 12
horas com atos políticos e entretenimento. Em concentração eles
denunciaram: o Estado Espanhol gasta menos em benefícios para mães do
que qualquer outro país da União Européia; é impossível para mulheres
imigrantes conseguirem documentos; a falta de apoio frente às expulsões
de prostitutas imigrantes ; o Estado rouba 55% das viúvas, referente a
pensões deixadas por seus maridos; as mulheres deficientes não podem
viver dignamente com as pensões atuais. À noite 4000 pessoas aplaudiram
entusismadamente a oradora da GGM. Houve atos por todo o país: Alicante,
Berris, Burgos, Cambrills, Córdoba, Dos Hermanas, Fuerteventura, Ejea de
los Caballeros, Madrid, Málaga, Mallorca, Saint Guim de Freixenet,
Segovia, Valência e Ubeba.
Em Alcoi, as mulheres colocaram a escova de ponta cabeça nos terraços
para mostrar que não trabalhariam naquele dia.
Em Bilbao convocaram uma hora de suspensão do trabalho. Em Córdoba
fizeram uma petição ao governo para que aumente as prestações às
famílias.
Ghana
A Associação de
Educação Popular em Anum organizou uma passeata de mulheres que
carregavam placas com os dizeres: "Quem houve as mulheres?" e
"Homens, sejam responsáveis por seus filhos".
Denuciaram a globalização e exigiram que o governo reative a
agricultura estatal estabelecida pelo primeiro governo independente que
foi uma frente de trabalho para mulheres e meninas.
Reivindicações incluem:
- Que devolvam todo o dinheiro proveniente de acordos ilícitos
feitos por líderes dos países do Terceiro Mundo fora do país e
que se invista em cada vida, começando pelas mulheres e meninas.
- Subsídio e pensão para o trabalho biológico e de cuidado
exercido pela mulher (salário para o trabalho doméstico).
- Cancelamento da dívida externa com o FMI-BM que recaem
majoritariamente sobre as mulheres que constituem 2/3 da população.
- Parem de nos castigar por sermos mulheres.
- Água potável, serviços sanitários, casa, educação e
transporte.
- Liberdade de movimentação para mulheres e jovens, sem medo de
serem sequestradas e/ou assassinadas.
- Proteção e asilo para mulheres e moças contra toda forma de
violência e perseguição, inclusive familiar ou de pessoas na
posição de autoridade.
- Criação de mais trabalho assalariado para mulheres.
Inglaterra
London - Marcha
de 400 pessoas, mulheres, homens e crianças, munidas com panelas e
outros utensílios domésticos, fazendo paradas estratégicas para
"varrer os assassinos globais". A marcha encabeçada por
um boneco gigante, saiu das instalaçÕes da Shell protestando
contra o veneno que destrói a saúde e o sustento especialmente de
comunidades indígenas. Em frente ao Ministério da Defesa, mulheres
de vários credos iniciaram uma cerimônia de presença; ativistas
do legendário Acampamento de Mulheres pela Paz Greenham Common
falaram, lésbicas em greve convocaram a todos os homossexuais para
que deixem as forças armadas e homens protestaram contra o fato de
serem treinados para matar ao invés de cuidar. |

Feminista egípcia e a
ativista Nawal El Saadawi (esquerda) com Selma James, coordenadora
internacional da Greve, no encontro: "Árabes e Judias falam
contra o holocausto na Palestina", London – maio de 2002.
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| Uma
congregação em frente ao Banco Mundial destacou os vários setores
que acusam o FMI de "tubarões globais". Entre eles,
mulheres africanas acusaram as grandes companias, dirigidas por
homens, que exigem dinheiro constante para safras, enquanto
plantações de subsistências, mantidas por mulheres e que
alimentam comunidades inteiras, estavam sendo destruídas. Mulheres
em cadeiras de rodas, surdas-mudas e portadoras de outros problemas
físicos ou mentais, sobreviventes de estupros, prostitutas,
imigrantes mulheres e homens... |
Argentina
Santa Fé – Às
6:30 da manhã, o Sindicato das Donas de Casa entregou panfletos
convidando a todos ao "escovão para varrer... toda a corrupção".
À tarde, com um calor de rachar, saíram vestidas de bruxas com
cartazes que diziam: "As fogueiras não nos exterminaram, agora somos
milhões". A rede Inter-Bairros de Mulheres construíram bonecas
gigantes e cartazes com suas reivindicações e slogans da GGM. A
Multisetorial de Mulheres para a Ação fabricou uma escova gigante com
braços e pernas móveis.
A passeata foi guiada por um caminhão que carregava uma companheira
vestida como estátua com uma placa com o seguinte slogan: "Não
somos estátuas para você cagar em cima como fazem os pombos".
O batuque de carnaval atraiu inúmeras mulheres de suas casas que
saíam com vassouras nas mãos e aplaudiam.
Na Praça de Maio, 500 mulheres participaram da assembléia e falaram,
entre elas as Mães da Praça de Maio (organização de mães de
desaparecidos políticos durante a ditadura militar de 76/94). No meio da
carriata a estátua começou a mover-se e a varrer caixas com dizeres:
violência, dívida do Terceiro Mundo, abuso sexual, Banco Mundial,
corrupção.
Guiana
"Foi
fantástico". As ruas principais de Christianburg, Wysmar e
Mckenzie em Liden vibraram ao som de latas e panelas que mais de 400
mulheres batucavam.
A marcha, organizada pelo grupo de mulheres ‘Red Thread’,
reuniu mulheres de Guiana de todas as racas afro-guianesas, indo-guianesas,
ameríndias e mestiças, com o apoio de uma dezena de homens. |
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| Entre as
exigências: que abaixe os preços abusivos (emdecorrencia das
privatizacoes) de eletricidade, telefone e água; terra e materiais
de construção a precos baixos para mulheres solteiras; pensões e
subsidios para as trabalhadoras domesticas e donas de casa; licensas
e pausas para a amamentação para as assalariadas; proteção
contra estupro e acidentes de tráfico; servico sanitário e
tratamento contra a malária; construção de estradas. O povo virou
suas vassouras de ponta cabeca para demonstrar seu apoio.
Nos anos 60, a comunidade indo-guianesa foi expulsa de Liden
devido a violência racial incitada pela invasão britânica que, no
ano de 1953, derrubou o primeiro governo multiracial independentista.
Agora, pela primeira vez, as mulheres tiveram coragem de reclamar
seus primeiros direitos: não estar em guerra com seus vizinhos de
outras racas. |
Peru
Lima
– Durante os anos de ditadura foi impossível levantar a voz em protesto
contra o custo de vida, fome, demissões em massa, aposentados sem
pensões e reivindicacoes sociais por servicos básicos (luz, água,
seguro social, telefone, educaçao e moradia). Em fevereiro e março, os
populares que vivem da sopa comunitaria, o grupo que luta pela merenda
escolar gratuita, clube de maes, mineiros, professores, ex-trabalhadores
do poder judiciario e da construcao civil, entre outros sairam às ruas
éxigindo seus direitos atraves de greves, passeatas e paralizacões.
A Greve foi um marco para a declaracão das Mulheres Organizadas e
Mulheres da Terra, apresentadas no Congresso pelo Centro de Capacitação
para Trabalhadoras Domesticas (coordenadoras da Greve), Grupo de Mulheres
Diversas, Movimento Amplo de Mulheres, Jovens com Debilidades, Mulheres da
Terceira Idade e outras.
Puno – Mais de 1000 mulheres de varias organizacoes de base
se reuniram na capital da provincia de Puno. Distribuindo folhetos,
marcharam pelas ruas. Foram entrevistadas pelas rádios internacionais da
Costa Rica e pela BBC, de Londres, entre outras radios locais.
Depois de 8 de março, varias atividades e workshops com temas
relativos a greve foram realizados. Entre outros, foram debatidos: a
carência de líderes causado pelos 10 anos de opressão às massas, o
silenciamento dos camponeses e as reivindicacões sociais.
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