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Processo revolucionário feminino Jamile Chequer iBase Publicado em 27/01/2006
Mulheres e meninas realizam dois terços do trabalho do mundo, mas isso fica, na maior parte das vezes, invisível. Por isso, a existência de uma organização como a Greve Mundial de Mulheres que no FSM 2006, capítulo Caracas, está fazendo uma série de encontros, palestras e eventos.
O FSM em Caracas torna-se cenário ideal para que este movimento se encontre, não só pelo próprio caráter do Fórum, mas também porque a Venezuela incluiu em sua Constituição o artigo 88, que garante a igualdade e eqüidade entre homens e mulheres no exercício do direito ao trabalho.
O Estado reconhece o trabalho do lar como atividade econômica com valor agregado, produzindo riqueza e bem-estar social. As donas-de-casa venezuelanas têm direito a seguro social de acordo com a lei. Essa conquista foi alcançada principalmente por causa do lobby do movimento feminino que ficou pelo menos quatro meses em frente à Assembléia venezuelana.
O trabalho do lar, que na maior parte das vezes é feito por mulheres, é considerado sem valor na maioria das sociedades do mundo. A mulher que o faz é vista como economicamente inativa. Conquistas como a da Venezuela, de Trindad e Tobago e da Espanha, com reconhecimentos similares em suas legislações, são fundamentais e promovem uma mudança real em prol da igualdade e da eqüidade de direitos.
“Estar exausta no fim do dia e escutar que você é economicamente inativa é terrível. Principalmente porque o mundo depende deste trabalho. É por isso que o slogan da Greve Mundial das Mulheres é a exigência de que a sociedade invista em cuidar e não matar”, revela a americana Selma James, integrante da organização.
Hoje, cerca de U$ 1 trilhão é gasto com exércitos no mundo. Só os EUA gastam pelo menos metade deste valor. “Estamos vendo um número enorme de guerras. Estão gastando o dinheiro que as mulheres deveriam ter, que poderia pagar pela igualdade de salários. Em vez disso, gastam para matar mulheres e crianças. Queremos o dinheiro de volta”, diz Sam Ioeinstein, também integrante da organização.
A organização também faz parte do movimento contra a guerra e a ocupação em países como Colômbia, Congo, Iraque etc. A prioridade é trazer à tona a luta feminina para garantir a sobrevivência das famílias e comunidades. Com o tema Invista em cuidar e não em matar pedem que cerca de U$ 90 bilhões destinados a gastos militares sejam direcionados para preencher necessidades básicas para a vida como água, saneamento básico e nutrição e para o pagamento das mulheres que são as primeiras a socorrer, trabalhar e cuidar.
Prova disso foram as mulheres depoentes em vários eventos da organização. “Não se trata apenas de retórica”, diz Selma, “são mulheres reais, com histórias de vida e de luta reais”. CC Campbell Rock, editora do São Francisco Bay View e integrante do Women's Caucus of the People's Hurricane Relief Fund & Oversight Coalition; Grace Laumo, do Kaabong Women's Group, Uganda; e Halima Khan, do Red Thread, Guiana – entre tantas outras, seja no pós-furacão Catrina, nas guerras em Uganda ou em inundações – são mulheres que têm em comum garra, determinação e trabalho árduo.
A mobilização por reconhecimento e salário para o trabalho doméstico e pela
igualdade salarial é defendida pela organização como forma de combater a
pobreza, a exploração e todo tipo de discriminação. O trabalho feminino é a
base sustentável da sociedade. Segundo a ONU, dois terços do trabalho do
mundo realizados por mulheres englobam amamentação, cuidado com crianças e
doentes, trabalho voluntariado e informal, prostituição, do cultivo à
preparação da comida para famílias, comunidades e continentes. Pelo menos
80% dos alimentos consumidos na África foram cultivados por mulheres. O que querem:
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